domingo, 25 de agosto de 2013

Quatro Anos!

Esse mês eu e meu marido estamos comemorando quatro anos de união, e logo mais em novembro, quatro anos de casamento. Sim, foram apenas três meses de namoro e a decisão de casar veio logo, tamanha certeza de que éramos almas gêmeas. Posso dizer que esses quatro anos foram os mais aventureiros que vivi até agora, do alto dos meus quase trinta e seis anos. Fizemos muitas coisas legais juntos, colocamos muitas idéias malucas em prática e acima de tudo, em total sintonia. Meu marido é um grande companheiro de aventura e é difícil lembrar quantas vezes ele me disse não para colocar em prática, mais uma das minhas idéias nem um pouco previsíveis. Não gosto de programar muito as coisas, com muito tempo de antecedência, então quando a epifania aparece, já está praticamente tudo pensado.

São inúmeras façanhas que fizemos ao longo desses quatro anos. Nesse tempo, aprendemos a degustar um bom vinho e começamos a apreciar juntos,  pois até então nenhum dos dois sabia a diferença entre uma garrafa de vinho de dez reais e outra de cinquenta reais. Começamos a assistir seriados, um atrás do outro quase que alucinadamente, gosto esse muito comum entre nós dois. Nosso primeiro seriado foi Arquivo X e até hoje seriados são um dos nossos programas preferidos, tanto que já perdemos a  conta de quantos assistimos. Seriados e vinho são uma combinação perfeita para ambos.

Sempre vazias...
Voei de avião pela primeira vez e conheci Brasília, coração do Brasil e incrivelmente linda, muito diferente daquilo que eu imaginava. Voei de avião pela segunda vez e fiz minha primeira viagem internacional, onde realizei um sonho de infância: conhecer New York. A emoção de colocar os pés na Times Square, com lágrimas nos olhos e o coração saltando pela boca não tem preço! Uma viagem inesquecível, cheia de boas lembranças, como a neve que eu vi pela primeira vez na vida, no Central Park. Essa é só o começo das viagens que pretendemos fazer pelo mundo. E eu já ia esquecendo...também voei em um helicóptero após ter ganho o bilhete em um sorteio on line, experiência essa que não pretendo repetir tão cedo. Bem diferente de um avião, tive a impressão que não voltaria para contar a experiência.

Chegando em SP vindo de NY
Neve no Central Park
Assisti ao show da minha banda preferida, que embalou desde o começo do nosso namoro até os dias de hoje, fazendo parte constante da nossa vida. Outro sonho realizado. Ainda hoje quando olho as fotos, não consigo acreditar que vi Eddie Vedder em carne e osso a poucos metros na minha frente. Não conseguiria escrever em palavras a emoção de estar tão perto de alguém que admiramos tanto. Inesquecível! E do jeito que as coisas aconteceram para que tudo desse certo, não poderia ter sido mais perfeito.

Eddie Vedder - Nov/2011
Construímos a nossa família, talvez não do modo tradicional, mas agora somos em cinco aqui em casa. Adotamos dois gatos, a Cuddy e o Ozzy e recentemente adotamos um cachorro de rua, o Bobby que está nesse momento deitado no sofá, assistindo ao lado do pai dele, meu marido. Animais de estimação são as melhores coisinhas que poderíamos ter adquiridos para viver conosco. São histórias e risadas sem fim.

Descobri que o youtube não é tão ruim assim como eu pensava, afinal, através das aulas em vídeo e muita paciência, finalmente aprendi a fazer sushi, comida essa que tenho verdadeira paixão. Com vinho então, nem se fala. Também nesses quatro anos, eu resolvi criar esse blog que até então seria mais para receitas e experimentos culinários, mas eu acabo desabafando e escrevendo tudo o que me vem a mente, o que não deixa de ser uma terapia. Escrever, mesmo que com muitos erros e algumas frases sem noção, me deixam mais motivada e menos estressada. Me faz muito bem, e é isso que importa.

Eu que fiz!
E foram muitas idéias mirabolantes colocadas em prática. Levantar de madrugada e correr para o ponto mais alto da cidade só para ver nevar, talvez porque foi a primeira vez que nevou na nossa cidade. E tirar fotos incríveis. Levantar novamente de madrugada para ver a chuva de meteoros acontecer, acampar com amigos por um final de semana inteiro e  fazer churrasco na Sexta Feira Santa,  participar de uma, aliás, duas degustações de vinho e beber até não poder mais, fazer os passaportes e os vistos e passar pela entrevista na imigração sem gaguejar, para finalmente poder se atirar pelo mundo. Fazer tantas invenções culinárias até quase colocar fogo na casa, mas aprendemos a fazer muitas coisas gostosas.

Banhos de chuva, carro velho vazando gás, roda de violão com os amigos, construções, passeio de Maria Fumaça, injustiças, esperas intermináveis em aeroportos, sobrinhos, novos amigos e os antigos também, milhões de filmes e episódios de seriados, algumas taças de vinho brindando a vida, shows de rock, jantares com amigos e risadas até a barriga doer, paintball e fotos espalhadas pela casa, onde provam que esses quatro anos valeram a pena. E que venham os próximos anos...



Bom final de semana a todos!
















sábado, 10 de agosto de 2013

As Pessoas Precisam Falar!

Dia desses, eu estava pensando sobre como eu seria se eu tivesse estudado psicologia. A psicologia sempre foi algo que me atraiu, mas acredito que para ficar fechada em uma sala, ouvindo as pessoas falando todos os seus problemas, certamente eu não seria uma pessoa feliz. Na profissão que eu escolhi, acredito que somos também além de enfermeiros, um pouco de psicólogos. Ouvimos reclamações dia e noite, as pessoas nos procuram geralmente quando precisam de algum tipo de ajuda, e em muitos casos, apenas uma conversa, um pouco de atenção, um bom ouvido para a pessoa desabafar já resolve o problema. Acho que todos somos um pouco psicólogo, independente da profissão que escolhemos.

As pessoas precisam falar, precisam contar, desabafar aquilo que as incomoda. Ouço todos os dias, os mais variados tipos de problemas, desde a descoberta de uma nova doença, até aquela pessoa que chega ao posto de saúde, com a pressão altíssima porque discutiu com alguém. Nesses casos uma boa conversa, pode ajudar e muito a pessoa se acalmar e consequentemente a pressão estabilizar. Mas eu percebo no dia a dia um tipo de carência geral dos pacientes que nos procuram, a maioria gostaria de sentar e contar alguma coisa da sua vida. Quando eu posso e o meu tempo permite, eu gosto de escutar o que incomoda as pessoas, os seus tipos de problemas, porque sempre aprendemos alguma coisa  com aquilo.

Percebo então, que na verdade aquilo que eu acho que é um problema em minha vida, não se compara ao problema daquele paciente que após algumas lágrimas e um pouco de vergonha, revela algo realmente problemático. É nessas horas que eu vejo o quanto Deus foi generoso comigo. Essa necessidade que eu vejo na minha profissão das pessoas precisarem se expressar de alguma forma, de precisarem alguém que as ouça e as aconselhe, fez com que eu treinasse um pouquinho todos os dias, o meu lado ouvidor e aconselhador com meus pacientes.

Acredite, eu não dou conselhos que mudarão a vida das pessoas, mesmo porque eu também as vezes preciso deles, mas acredito que algum tipo de motivação, algumas palavras boas podem ajudar a clarear um pouco as coisas, ajudar de alguma forma. Você não precisa ser um psicólogo para conversar com alguém, ouvir um pouco e dar a sua sincera opinião. Sim, as minhas opiniões são sinceras, mesmo que as vezes um pouco fora daquilo que a pessoa gostaria de ouvir, mas eu tento fazer com que as pessoas que pedem a minha opinião, vejam os dois lados da moeda. Funciona com alguns pacientes que me fazem perguntas no posto.


Os psicólogos tem suas técnicas, seu modo de conversar, ouvir e decifrar as pessoas baseadas nos seus estudos científicos e acredito que seu trabalho ajude muito as pessoas que os procuram. Onde eu trabalho, também temos uma psicóloga que nos ajuda a resolver os problemas mais cabeludos, aqueles que uma simples opinião ou palavras bonitas não resolvem. Quando nos deparamos com um grande problema no meu local de trabalho, fico imaginando como seria se eu fosse a psicóloga, como eu resolveria a situação, enfim, como eu Flávia seria trabalhando como uma psicóloga.

Penso que com a tecnologia sempre inovando, a internet nos deixou um pouco mais solitários em relação a aproximação com as pessoas. A maioria prefere ficar em casa, atrás de um computador conversando com um amigo, do que ir pessoalmente na casa da pessoa, tomar um café enquanto conversa. Falta mesmo é o toque, o olhar, pegar na mão. Talvez por isso essa carência que mencionei acima, faça com que as pessoas precisem cada dia mais de pessoas que as ouçam, que lhes dê atenção, afinal, os tempos estão mudando e as pessoas perderam aqueles velhos costumes de visitar, de escrever cartas, de ter um contato cara a cara.


O mundo está ficando cada dia mais carente de gentilezas, de companhia, de atenção, de contato entre as pessoas.


Bom final de semana!









quarta-feira, 24 de julho de 2013

Neve em Timbó

Não se fala em outro assunto aqui na pequena cidade de Timbó, interior de Santa Catarina. As pessoas se encontram na rua e o primeiro assunto é sobre a neve que caiu no dia 23 de julho, coisa que até então era desconhecida por muita gente aqui nessa cidadezinha. Fiz uma pesquisa para saber em que outro momento nevou em Timbó, mas confesso que não achei nada específico sobre uma data. Hoje de manhã, passando para ir a padaria comprar um lanche, escutei em uma conversa de alguns idosos aqui do bairro onde eu trabalho, que a última vez que havia nevado em Timbó foi em 1943. Corri para o google e pesquisei, mas nada constava sobre ter caído neve nessa data ou em outra data qualquer.


Tentando subir

Espetáculo!
Fiquei muito feliz em poder fazer parte desse espetáculo inédito aqui da nossa cidade. No início, meu marido estava com um pouco de preguiça de levantar da cama para passar frio, mas quando ouviu na rádio que o local que eu queria ir vistar estava coberto de neve, foi o primeiro a estar pronto para sair. Câmera na mão, muito casacos, cachecóis, toucas e luvas, partimos para o Morro Azul, um dos lugares mais altos de Timbó (758 m), segundo pesquisas. O Morro Azul fica a mais ou menos uns vinte minutos da nossa casa, o que facilitou bastante a nossa chegada lá em cima. Saímos de casa perto das 7:30 e logo que começamos a subir o morro, a paisagem começou a mudar de cor, ficando praticamente toda a subida com várias áreas brancas na lateral da estrada, neve espalhada por toda a parte.

Paz


E a guerra de bolinhas de neve começou...
Assim que começamos a subir a parte mais íngreme, vimos um carro estacionado um pouco abaixo do local que gostaríamos de ir, e outro já começando a estacionar. Tentamos fazer a curva com a pista completamente congelada, mas não foi possível. O carro não iria subir e descemos devagarinho de ré até encostar atrás de outro carro já estacionado. Descemos do carro e subimos uns dez minutinhos a pé até chegar no local desejado. A paisagem estava irreconhecível. Parecia que estávamos em outro país, menos em Timbó.




Poucas pessoas já estavam no local fotografando e estasiados com tanta beleza. Confesso que cheguei quase sem fôlego lá em cima, pois minha capacidade pulmonar no momento está um pouco abalada pela falta de exercícios, mas após várias e várias pausas, eu consegui chegar lá. Tá certo que meu marido além de me motivar toda a subida, ainda me puxou em alguns pontos mais críticos, mas conseguimos chegar ao nosso destino. O vento estava cortante e o gelo começava a cair das árvores em nossas cabeças.

Fotografamos, fizemos guerra de bolinhas de neve, escorregamos (eu), apreciamos a vista por um bom tempo, vimos pessoas chegando e saindo, todas com o mesmo sentimento de gratidão por ter apreciado aquele momento tão único. Depois de muitas fotos e brincadeiras, começamos a descer para voltar para nossa casa quentinha, afinal, nós estávamos gelados e molhados de tanta neve que havia naquele Morro Azul. Quando chegamos perto do nosso carro, haviam muitas pessoas a pé e carros tentando subir, o que causou um congestionamento bem difícil. Tivemos sorte de ter sido quase um dos primeiros a chegar lá em cima e enquanto todos estavam querendo subir, nós já estávamos de saída.

Colocando a cabeça no boneco...
Olha a minha obra de arte...
Admirado com tanto talento!


Após um pouco de paciência, conseguimos sair e voltar para casa, mas o alvoroço na cidade era grande para ver a neve de perto. No dia seguinte, havia previsão de geada forte. Então, levantamos cedinho e fomos ver os campos em um bairro pertinho aqui de casa. Estava tudo branquinho de geada e aproveitamos para fotografar também, mas nada comparado a neve que caiu no dia anterior. Abaixo algumas fotos do dia 24 de julho para vocês terem uma ideia da geada.

Pomeranos - Mulde

Aqui em casa também geou!


Friooooo demais!
Um privilégio!
Sinto-me privilegiada por esse ano ter visto a neve duas vezes, uma em NYC e outra na minha cidade, coisa que era praticamente impossível, mas que com muita fé, acabou acontecendo. Acredito que irá demorar muito para esse fenômeno acontecer novamente, mas as lembranças estarão guardadas para sempre nas fotos e na minha memória. E acreditem, dinheiro nenhum paga isso!

Até logo!




sábado, 13 de julho de 2013

Amizades

Ainda não achei uma palavra certa para definir o que é um amigo, aquele amigo de verdade. Existem vários adjetivos para essa pessoa tão especial que escolhemos para fazer parte da nossa família. Mas existem vários tipos de amigos. Existe aquele amigo que você tem desde a infância, que conviveu e participou da sua vida toda, sabe os teus segredos, até aqueles mais sórdidos. Tem também aquele amigo que você faz no trabalho, na academia, em um novo curso e que você sente uma afinidade tão grande, que não quer que ele desapareça mais. E aquele com quem você viveu vários momentos legais da sua vida, que fizeram muitas festas juntas e tem muitas história boas para contar. Tem aquele que é quase um irmão.

Com tantos amigos, fica difícil quando você quer fazer um café, um festinha ou um cocktail e convidar todos eles, afinal, além de você não ter na sua casa lugar para toda essa gente sentar, ainda acaba que você não consegue dar a atenção merecida a todos como deveria. Então você acaba dividindo esses eventos em várias festinhas ao longo do tempo, onde você vai convidando alguns, na outra festa, outros e por aí vai.

Aqui em casa é muito difícil quando queremos fazer alguma coisa, até mesmo um jantar, pois nossa casa é bem pequenininha e consequentemente tem poucas cadeiras para sentar. Resolvemos fazer o aniversário do meu marido e convidamos alguns amigos de longa data e que são muito especiais e queridos por nós. Alguns não puderam vir pois já tinham algum compromisso agendado para a data, outros estavam muito longe e infelizmente não teriam como se deslocar até aqui. Mas a parte mais difícil foi fazer uma pequena lista de pessoas que gostaríamos que viesse e essa lista começou a crescer muito. Por um lado fiquei bem feliz em saber que temos tantos amigos, de todos os tipos que fazem parte da nossa vida. Por outro fiquei meio decepcionada de não poder convidar todos para comemorar o aniversário do meu marido.




Mas devo dizer que a noite foi perfeita. Fizemos somente uns aperitivos, algumas comidinhas e cada convidado que chegava, trazia uma garrafa de vinho que seria degustada junto com os "quitutes". A noite foi muito agradável, com muitas risadas e trocas de experiências dos convidados sobre suas recentes viagens. Me diz para que coisa melhor do que falar sobre viagens, degustando umas boas taças de vinho e se deliciando com uns canapés divinos. Realmente uma pena que não conseguimos juntar todos que gostaríamos que viessem. Mas ano que vem promete...



Quando conseguimos reunir toda essas pessoas tão especiais em nossas vidas, é incrível como nos sentimos felizes com tão pouco. Somente o fato de estarmos reunidos conversando já é suficiente para tornar uma simples noite de sábado, em algo inesquecível e maravilhoso. E é isso que os amigos fazem. Compartilham conosco suas risadas, suas lágrimas e angústias, suas experiências de vida, seus gostos e desgostos. E assim é a vida. Devemos aproveitar a todo instante as coisas simples que ela nos proporciona como uma amizade duradoura, reunir os amigos e rir até a barriga doer, contar nossas aventuras e escutar o que eles tem para contar.

Quem tem um amigo de verdade, nunca estará sozinho!

Até logo!


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Bobby

Meu marido sempre quis ter um cachorro. Eu prefiro gatos. Temos dois gatos que adotamos desde quando nos mudamos para nossa casa e eles são "a alegria" da casa. Para nossa surpresa, a uns meses atrás apareceu um cachorrinho de rua na nossa porta, pedindo comida e carinho. Começamos a tratá-lo e claro que nos apegamos ao bichinho, surgindo assim aquela indecisão de adotá-lo ou não. Após muito conversar, decidimos adotá-lo, comprando uma casinha, pratinhos novos, remédio de pulga, vermífugo e ... banho.

Bobby (frente) com sua "namoradinha" Sara Lee ...
Depois de muito planejar, conseguimos cercar a nossa casa, que até então, era invadida por crianças e animais da vizinhança, quando estávamos trabalhando ou passeando. Pequenos vândalos que sujavam as janelas, paredes e o terreno com suas patas e pés sujos, com bolas de plásticos e papeizinhos de balas. Agora isso tudo acabou!  Com o Bobby de guarda dentro do terreno cercando, os pequenos vândalos se afastaram, não ousando sequer olhar para dentro da cerca.

Ele apareceu do nada, faminto, sujo e com cara de abandono. No início,  vinha apenas comer e voltava para a rua. Mas com o tempo, ele foi ganhando atenção, carinho e uma casa. Hoje ele faz parte da nossa família também. Bobby é um cachorrinho de rua sem raça definida, carinhoso, brincalhão e que nos conquistou com seu olhar triste. Com o passar do tempo, descobrimos que nosso cãozinho estava doente, pois não parava de tossir e decidimos levá-lo ao veterinário. Chegando lá após ser examinado e feito alguns testes, descobrimos que Bobby além de pneumonia, tinha cinomose.


Começamos então um ritual de tratamento, com medicação e deixando ele dentro de casa para não pegar mais frio, pois a pneumonia foi adquirida nas suas noitadas na chuva e no frio. Todos nós sabemos que a cinomose não tem cura, mas estamos tratando os sintomas que vão aparecendo ao longo do tempo. Hoje ele já está bem melhor, ativo, brincalhão, seus pêlos cresceram consideravelmente, pois quando o pegamos, também estava desnutrido.

Em troca de todo carinho e atenção, dos banhos, comidas e brincadeiras, ele protege nossa casa com unhas e dentes. Também se deu muito bem com nossos gatos, apesar de no começo, o Ozzy não gostar muito da idéia. Hoje a convivência é pacífica, Bobby tem sua casinha quente, seu macaquinho de pelúcia para brincar (o Kong), que ele adora e o tratamento da cinomose continua. Quanto a pneumonia, ele já está curado.

É difícil você decidir adotar um animal de rua já adulto e doente, pois assim como ele não teve dono, sempre teve que lutar para comer, para ter um canto para dormir, para sobreviver. Ás vezes o Bobby não nos obedece, pois não foi acostumado aos "nãos" necessários, aos limites, nos mostrando os dentes e rosnando. Entendemos que ele não tinha até então, alguém para respeitar como dono, e como já comentei, é difícil adotar um animal com a personalidade já formada.


Paciência é a palavra chave, pois com o tempo ele vai se adaptando aos costumes da casa. Agora ele entende que só pode ficar no sofá até a gente ir dormir, depois tem que ir para a casinha. Que a ração dele não é  a mesma que a dos gatos. Que tudo tem um limite, mas ainda não entendeu que não pode ficar cavando no barro vermelho toda vez que o colocamos fora de casa. Ainda estamos em treinamento com ele, mas é complicado tirar esse hábito dos cães, não é?

Apesar de todas as coisas que tivemos que abrir mão por ele, dos gastos, da paciência, da correria ao veterinário que não foi apenas uma vez, fico muito feliz em tê-lo na nossa casa, afinal de contas, quem nos adotou foi ele. Tem dias que a gente fica meio impaciente com ele, pois os cães tem uma energia inacreditável, mas o seu olhar, o seu carinho e suas brincadeiras compensam qualquer coisa.

Tenho certeza absoluta que adotar um animal de rua nos torna pessoas melhores!

Até logo!



sábado, 15 de junho de 2013

Dexter and Me

As pessoas que conhecem bem eu e meu marido, sabem da nossa adoração por seriados de TV. Desde o início do nosso namoro, uma das várias afinidades que temos é assistir séries, acredito até que a mais forte de todas. No momento estamos assistindo Dexter, mas confesso que no começo, apesar de ter ouvido falar muito dessa série, não gostei dos primeiros episódios, chegando ao ponto de pensar em desistir de assistir. Por insistência do meu marido, acabei continuando a assistir com ele, e conforme os episódios aconteciam, comecei a me interessar mais pela história. Hoje vamos começar a quinta temporada, e confesso que é um dos melhores seriados que assisti, porque me identifiquei muito com o personagem de Michael C. Hall, o famoso Dexter Morgan.


Não pense que eu sou uma assassina ou tenho uma mente fértil quanto o Dexter tem, mas existem particularidades que aparecem na série, das quais eu me identifico muito. Assim como o Dexter, eu sou uma pessoas extremamente observadora, e tem coisas que a maioria das pessoas não vêem e que eu percebo, e quando eu resolvo contar, as pessoas ficam me olhando como se eu fosse um ser de outro planeta. Também não costumo tomar uma decisão ou fazer alguma coisa grande, se eu não tiver 100% de certeza que vai dar tudo certo, entrando aqui minha afiada capacidade de observação.


Eu observo muito as pessoas, sem que elas percebam. Eu percebo aquele olhar que você acha que ninguém viu, sabe aquele que a pessoa olha para a outra e pensa "otária"...eu já vi isso muitas vezes. Eu posso dizer todos os cacoetes, tics, e manias que as pessoas ao meu redor tem, e tenho certeza que você pensa que ninguém nunca percebeu. Eu percebi sim. Eu leio pensamentos. Não da maneira que você imagina, mas de uma forma bem particular que o meu marido conhece ( né Fabio?). Eu sei o que você pensa, através do seu olhar, do jeito que você coloca as suas mãos, ou dobra as pernas, pela forma como você reage a certas coisas. Você não sabe o quanto observar as coisas, nos faz perceber os detalhes mais sórdidos, mais escondidos, mais secretos nas pessoas.

Mas as vezes tem coisas que eu preferia não ter visto, e eu juro que não foi de propósito. Assim como meu amigo Dexter, eu tenho meus segredos, eu guardo o segredo de outras pessoas de muitos anos e lhes garanto que ninguém jamais ficará sabendo. Existem coisas que não precisam ser mostradas, faladas, feitas ou relembradas. Mas os segredo dos quais eu falo, não são coisas ruins, que prejudicaram alguém, ou algum assassinato jogado em alto mar, como o Dexter costuma fazer, mas são coisas minhas, e acredito que todas as pessoas tem seus segredos, mesmo aqueles que você não faz questão de lembrar. 

Em se tratando de escolher uma profissão, acho que também me identifico com ele, afinal, trabalhamos com seres humanos, ele com os que já morreram e eu, com os que vão morrer. Assim como a profissão dele, meu trabalho também é muito delicado e meticuloso, sendo que para realizá-lo você precisa prestar muita atenção e a observação aqui também é fundamental. É necessário perceber que o corpo da pessoa está mudando, através dos sinais que a doença manifesta no paciente, e os sintomas que se escondem ou se mascaram atrás da doença ou da medicação.


Outra coisa marcante no Dexter é a respeito dos seus sentimentos. Também não costumo demonstrar muito aquilo que eu sinto, com exceções das pessoas que amo de verdade, mas acredito que mesmo assim, ainda deixo um pouco a desejar. Não é que eu seja uma pessoa fria, que não tenha sentimentos, apenas penso que eu não preciso manifestar isso a todo momento. As pessoas que convivem comigo, sabem dos meus sentimentos por elas e isso já é o suficiente para mim.

Acredito que não só eu, mas várias pessoas tenham particularidades e afinidades com o personagem Dexter, fazendo com que seja uma das séries mais vistas na televisão. Não me arrependi nem um minuto por ter começado a assistir e recomendo com certeza. E você, tem alguma afinidade com o personagem?

Até a próxima!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Cansada

Hoje eu não deveria estar escrevendo pois não estou bem comigo mesmo. Ultimamente tenho pensado muito a respeito do meu futuro, um dos motivos de ter me afastado do blog, pois minha inspiração sumiu e sinceramente, eu não tinha vontade de escrever nada. Li alguns textos que de algum modo me ajudaram a pensar mais ainda naquilo que eu quero para minha vida. Tive algumas certezas e mais dúvidas do que eu tinha antes. Descobri através de um teste que sou uma pessoa introvertida, o que para mim foi um alivio saber que existem mais pessoas como eu e que vivem bem com isso.

Descobri também que me sinto isolada no meio de uma multidão de selvagens e que meu lugar é em qualquer lugar do mundo, menos aqui, no Brasil. Decidi que quero ir embora daqui, o mais rápido possível e preciso me mexer para que isso aconteça. Na verdade estamos fazendo muitas pesquisas e nesse momento, depois de todos os pauzinhos mexidos, é só aguardar. Eu sinto, eu espero, eu torço para que todos os nossos planos dêem certo. E vão dar!

Descobri que os amigos que eu realmente me importo, eu conto nos dedos e tive uma vontade quase surreal de acabar com o meu facebook, idéia que ainda não abandonei. Esses amigos que conto nos dedos, são aqueles que eu quero ter notícias, que eu quero conviver sempre e não importa o tempo, a distância e o que aconteça, eu sei que quando voltarem, as coisas continuarão iguais, apenas teremos mais histórias e experiências para dividir. Para mim, fazem parte da minha família.

Sou introvertida, logo gosto de coração de algumas pessoas, outras eu suporto e a maioria não quero que façam parte da minha vida, e essas com certeza sabem disso sem eu nunca ter falado. Faço questão de não conhecer meus vizinhos, não quero intimidades com estranhos, não gosto de fazer novas amizades, e aprecio de verdade a solidão. Adoro brincar com meus gatos e com meu cachorro, amo conversar com meu marido, que além de ser a pessoa mais compreensiva do mundo, é a mais inteligente que eu já conheci. Não é a toa que me casei com ele. Minha alma gêmea!

Gosto de pessoas inteligentes, simples e sem fricotes, que tem algo de bom a acrescentar na minha vida, de trocar experiências sobre viagens, vinhos, seriados, livros, gastronomias e outros assuntos interessantes que não prejudicam ninguém. Gosto de falar de coisas e não de pessoas. Eu fico doente de ouvir as pessoas comentando sobre o que aconteceu nas novelas, no BBB, que o filho de fulana se separou, que o sicrano fugiu com a empregada, enfim, fazendo fofocas da vida alheia. Me dói ver a falta de cultura nas pessoas.

Eu sei que hoje não é um bom dia para mim, mas eu precisava escrever como me sinto. Nem fui trabalhar. Me sinto sugada, cansada, desanimada, e só de pensar em ter que começar a mesma ladainha amanhã cedo, tenho vontade de sumir. As mesmas pessoas, com as mesmas reclamações, a mesma rotina e isso me desanima de uma forma inexplicável. Se pelo menos eu tivesse alguém com os mesmos interesses que eu para conversar, mas a base da conversa é sempre a mesma: a vida alheia.

Hoje eu não quero mais conversar com ninguém, quero somente ficar deitada na minha cama, com meus gatos e meu marido, sem ter que dar satisfação da minha vida para ninguém. Odeio viver em uma sociedade tão egoísta, falsa e primata. Quero me isolar de tudo e de todos, e fingir que toda essa falsidade e falta de cultura é apenas um sonho. Cansei de tudo o que me faz mal.


Até mais!!